A REALIDADE SÓCIO-AMBIENTAL DE SERGIPE

O nome  do Estado de Sergipe é de origem tupi e vem do crustáceo siri + rio que significa rio dos siris. O início da colonizacão de Sergipe é datado de 1575, por iniciativa dos jesuítas Gaspar Lourenço e João Salônio, fundadores das aldeias de São Tomé, nas imediações do rio Piauí, Santo Inácio,  às margens do rio Vaza-Barris e de São Paulo, entre o rio Real e o Vaza-Barris. Logo depois concretizada definitivamente por Cristovão de Barros em 1590, com a fundação de São Cristovão a primeira capital do Estado. A cobertura vegetal nativa de Sergipe está praticamente extinta des-de-quando do bioma mais importante a Mata Atlântica resta apenas 0,6%, sendo sua área nativa substituída por plantações de cana e pastagens, enquanto a Caatinga que foi praticamente dizimada do semi-árido dando lugar a grandes pastos de  criação de gado, sobrando apenas pequenas manchas em alguns municípios. O estado de Sergipe é cortado por seis bacias hidrográficas, sendo elas: São Francisco, a maior, Japaratuba, Sergipe, Vaza-Barris, Piauí e Real cuja capacidade produtiva de água e pescado está comprometida por poluição, Hidroelétricas, Barragens, Viveiros, Projetos de irrigação, Assoreamento e eliminação da Mata Ciliar.

Sergipe localiza-se na Região Nordeste do Brasil, possuindo 21.994 km² de extensão territorial, limita-se ao norte com Alagoas, ao Sul e Oeste com a Bahia e ao leste com o Oceano Atlântico e possui 75 municípios que estão agrupados em cinco regiões: Litoral, correspondente à faixa costeira, onde está localizada a capital, sendo inclusive o principal centro econômico e político do estado; Cotinguiba, região localizada nos vales dos rios Cotinguiba, Sergipe e Japaratuba, tradicional zona canavieira e  histórico berço da oligarquia canavieira sergipana; Agreste, onde predomina a agricultura e citricultura, sendo  uma região de transição, por localizar-se entre o litoral e o Sertão, caracterizando-se pela concentração de populações rurais, voltadas para os cultivos de culturas de subsistência como feijão, milho, mandioca, legumes e verduras, além de frutas cítricas, maracujá, fumo, laranja e criação de gado;o baixo São Francisco é uma região ribeirinha que era voltada para o cultivo do arroz e produção de peixes quando suas várzeas alagavam com as enchentes do rio São Francisco, com  a chegada da CHEFS e suas hidroelétricas, vários projetos de irrigação e transposições do rio, toda economia local entrou em colapso total, sendo substituída por projetos de fruticultura irrigada e produção do pescado em viveiros para exportação, no chamado Platô de Neópolis, com grandes empresários; A região do Sertão ou Semi-árido representada por toda parte oeste do Estado está sob o domínio da caatinga, onde predomina a pecuária extensiva, gerando o êxodo rural dos trabalhadores expulsos pelo latifúndio com grandes fazendas de gado e começo da existência da desertificação e salinização dos solos.(Grande parte das atividades econômicas de Sergipe concentra-se na capital, Aracaju.) A economia sergipana baseia-se no setor agrícola, bens de serviços  e industria. Sendo os principais produtos o coco (Aracaju, Barra dos Coqueiros, Santa Luzia do Itanhy, Itaporanga D´juda , Neópolis e Pacatuba), cana-de-açúcar (Região do Cotinguiba), laranja (Boquim, Umbaúba, Tomar do Geru e Arauá), verduras e cereais (Itabaiana), além da pecuária bovina, mais presente nas áreas do Agreste e sertão. Nas últimas três décadas o setor industrial vem se desenvolvendo no Estado, tendo como principal matriz a extração mineral e a produção petrolífera. Sergipe possui jazidas de minerais importantes para o atual modelo de desenvolvimento industrial não sustentável, destacando-se o petróleo, gás-natural, o calcário, potássio, argila e o salgema. Atualmente encontra-se em processo de discussão   sobre a possibilidade de implantação de uma refinaria de petróleo e para sua concretização já está em fase de elaboração o projeto de construção de uma ponte que ligará os municípios de Aracaju e  Barra dos Coqueiros. Existem ainda indústrias de gêneros alimentícios e têxteis centrados principalmente em Aracaju, além de Estância, Itaporanga e Laranjeiras, municípios que se encontram em expansão, com o acesso aos bens de serviços e crescimento da indústria da construção civil, percebendo-se a aceleração das migrações de populações interioranas para a Capital e cidades que formam a região da grande Aracaju. Essa migração tem também como fatores a"pecuarização"da agricultura, falta de terra para a agricultura familiar; presenças de monoculturas, laranja e cana -de- açúcar e falta de oportunidades de emprego no campo e pela estagnação econômica de certas áreas rurais, onde a conseqüência imediata é o inchaço das zonas periféricas de Aracaju, que já sofre com a falta de espaço, sendo deslocado grande contigente populacional que se espreme em vilas verdadeiros cortiços, ou migra para cidades próximas ao entorno da capital, única saída para os grandes contingentes de assalariados sazonais (trabalhadores volantes).O aumento do subemprego expõe as chagas da favelização e da degradação do meio ambiente, provocada pela  urbanização desordenada.

Nestas três últimas décadas, com a exploração dos minérios e avanço da indústria da construção civil, a degradação ecológica em Sergipe tem avançado, além do agravamento na área urbana de Aracaju com a poluição de mangues, canais de águas pluviais, rios a praias pelo esgotamento sanitário e industrial não tratado. Os impactos sobre o meio ambiente afetam acima de tudo as áreas com população de baixa renda principalmente os manguezais, isto fica constatado com a existência da poluição, desmatamentos, aterros, especulação imobiliária, onde ainda verificam-se dificuldades nos serviços básicos como rede de esgotos, em especial nos bairros periféricos e áreas encravadas na zona sul e norte (Coroa do Meio, São Conrado, Farolândia, Morro do Urubu, Porto Dantas, Santos Dumon e Lamarão, que drenam esgotos inatura para rios, canais e mangues da  região. Os antigos povoados São José, Robalo, Mosqueiro e Areia Branca, que se constituem na mais nova fronteira da especulação imobiliária, onde percebe-se que a degradação das áreas litorâneas, rios, restingas, lagoas, dunas e manguezais compromete o meio ambiente, as economias e culturas locais, degradando os ecossistemas, empobrecendo e expulsando as comunidades locais, litorâneas e ribeirinhas; além de destruir o lazer da população e de extinguir importantes fontes de alimentos. Recentemente se constatou que a carcinicultura, vem gerando desemprego de pescadores artesanais no estado, com o desaparecimento do caranguejo, da ostra e do sururu, vê-se seriamente ameaçada, à medida que a cidade se expande sem um ordenamento urbano e ambiental prévio, áreas são impactadas, tornando-se favorável á especulação imobiliária, supervalorizando os espaços por um lado, enquanto por outro a terra na zona de expansão na periferia da zona sul se transforma em objeto de mercadoria com alto preço, elitizando o espaço e impedindo o acesso de todos os cidadãos à aquisição de moradia. Tal fato leva essas populações desalojadas e marginalizadas a ocupar e mesmo a destruir áreas de preservação (no caso em questão os manguezais) em busca de um espaço para morar.

Os grandes grupos econômicos de empreendimentos da construção civil dominam  e controlam o espaço urbano com as benesses oficiais, transformando  indistintamente as áreas urbanas em objetos de compra e venda favorecendo a especulação imobiliária,  que obtém lucro fácil.

Nessa parceria com o poder público, os grupos econômicos formam regiões metropolitanas com profunda segregação e desigualdades sociais. E, dessa união de interesses surgem zonas privilegiadas e valorizadas como é o caso da área nobre dos Jardins, construída sobre aterro de mangues, além de outras áreas privilegiadas, para onde se destinam  investimentos públicos em infra-estrutura  contribuindo para o alto valor  imobiliário, em muitos casos mantendo por muito tempo solos vazios,. à espera da instalação de equipamentos e infra-estrutura (iluminação, água, rede de esgoto e calçamento para a supervalorização imobiliária) deixando as classes sociais menos favorecidas fora do acesso ao espaço urbano, de onde vem sendo  sistematicamente expulsa para as cidades vizinhas da capital.


 

A REALIDADE SÓCIO-AMBIENTAL DE ARACAJU

 

Atualmente, mais da metade da população da cidade de Aracaju, estimada em quase quinhentos mil habitantes, é formada de imigrantes, vindos do interior e de outros estados. Um número que não pára de crescer. Esse aumento acelerado da população na área urbana (cidade), decorre principalmente “de alguns fatores sociais”

 

1 Possibilidade de conseguir emprego

2.Possibilidade de qualificação

3 Redução  das pequenas propriedades no Interior

4 Expulsão dos trabalhadores do campo pelo avanço de pastagens

5.Manutenção de monoculturas

 

Esses fatores que contribuem para o crescimento da população em Aracaju,concorrem  decididamente com o aumento dos seus problemas que acabam atingindo os municípios circunvizinhos (Barra dos Coqueiros, Socorro e São Cristóvóo).A população do campo, que é empurrada do interior para a capital, na esperança de “ganhar" casa e trabalho, acaba por sua vez sendo empurrada mais uma vez, para os bairros periféricos, bem distantes do centro da capital quando, muitas vezes, na maioria dos casos acaba sendo jogada para conjuntos habitacionais localizados em municípios vizinhos, como São Cristóvão, Nossa Senhora do Socorro e Barrra dos Coqueiros.


 

MANGUEZAIS

 

Devido ao crescimento desordenado, não sustentável e injusto, nos últimos trinta anos Sergipe, especialmente Aracaju, vem crescendo desordenadamente, fruto da especulação imobilária e expansão urbana desenfreada sobre mangue, restingas, dunas e praias, onde essas áreas vêm sendo aterradas e ocupadas sistematicamente, de forma antiecológica e criminosa, quando por falta de uma política ambiental, os principais agentes modificadores do meio ambiente dão as cartas sobre o uso abusivo do solo. Os grandes empreendimentos imobiliários se utilizam das  áreas para valorizar o terreno, enquanto os favelados  ocupam para construir e morar, um exemplo desse fenômeno encontra-se nos Bairros Coroa do Meio, Lamarão, Santos Dumont, São Conrado e Jardins, onde a especulação e a falta de esgotamento sanitário moram vizinhos à favela,  além da mais recente forma de destruição do manguezal e de todo ecossistema que o compõe que é a carcinicultura (viveiros de produção de camarão para exportação), que acabou com mais de 90% da  produção pesqueira de marisco nos manguezais sergipanos.

O manguezal representa o último ecossistema que restou da cobertura vegetal nativa da Mata Atlântica de Sergipe, que hoje se encontra com 0,6% da área, mesmo assim, a destruição avança implacavelmente sobre essa importante vegetação que em 1981 Sergipe possuía 468,7 Km². Em 1984 a área estava reduzida a 262 Km². Em 1991, restava somente 84 Km².' Atualmente a degradação tem aumentado, ficando evidente que o grande inimigo do manguezal  e de todo o litoral sergipano é a especulação imobiliária, que visa o lucro  fácil a qualquer custo.